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Estudo sobre exercícios físicos na infância traz conclusões surpreendentes
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Estudo associa obesidade e hipertensão a riscos de demência


Estudo sobre exercícios físicos na infância traz conclusões surpreendentes

Um grupo de especialistas renomados internacionalmente publicou dia 21 de julho de 2006, no periódico britânico The Lancet, as conclusões de um importante estudo, colocando em xeque normas internacionais que consideram uma hora por dia de exercícios suficiente para prevenir doenças cardíacas e a obesidade infantil. A pesquisa monitorou 1.730 crianças em escolas na Dinamarca, Estônia e Portugal, com medidores de atividade durante quatro dias, incluindo um final de semana. Segundo o estudo, os melhores índices de saúde (como pressão sangüínea, metabolismo) foram registrados em crianças de nove anos que realizaram em média 116 minutos de atividade moderada a intensa e em adolescentes de 15 anos que praticaram exercícios por 88 minutos diários. Isto corresponde a caminhar a uma velocidade média de 4 km/h - o passo normal de um ser humano - por cerca de 90 minutos. O estudo chama a atenção para as crianças que não conseguirem alcançar sequer esta meta, associando esses dados ao crescente sedentarismo infantil. De acordo com Lars Bo Anderson, professor da Escola Norueguesa de Ciências do Esporte, em Oslo, e principal coordenador da pesquisa, os 90 minutos diários de exercício não precisam ser realizados de uma só vez, ou seja, as crianças podem espaçar sua atividade física ao longo do dia.

Mas, infelizmente, como alerta a Organização Mundial da Saúde (OMS), a meninada está aproveitando cada vez menos os espaços onde poderiam brincar e realizar suas atividades físicas. Engana-se quem pensa que computadores, TV, games são os únicos vilões... A OMS mostra que "a crescente motorização, os riscos de acidente de trânsito e o desaparecimento, ou a percepção do desaparecimento de espaços públicos seguros, onde as crianças possam caminhar, brincar ou pedalar em segurança e tranquilidade, parecem ser fatores importantes que restringem a mobilidade infantil nos dias de hoje". A entidade afirma que: "a construção de playgrounds não é a solução. Ao promover atividades rotineiras na vida das crianças, como caminhar e pedalar pelo bairro, ou entre a casa e a escola por vias livres e seguras, formuladores de políticas públicas aumentam as oportunidades para elas se moverem de maneira independente, elevando seu seu nível de atividade física".

Resultados de estudos semelhantes, quando pesquisadores também acompanharam as crianças através de aparelhos tomando como base estimativas de exercício físico realizadas pelas próprias crianças ou por seus pais, confirmam que as atividades físicas realizadas eram insuficientes para garantir a saúde. Para o grupo de cientistas responsável pelo artigo no Lancet, as conclusões comprovam (e reiteram) a importância da atividade física para crianças e adolescentes, independente dos hábitos alimentares ou do estilo de vida da família. Os cientistas mostram que a associação entre freqüência das atividades físicas e riscos para distúrbios cardiovasculares, entre as crianças pesquisadas, ocorreu "independente do grau da presença ou não da obesidade. Ou seja, foi similar tanto para crianças magras como para aquelas que estavam acima do peso". O alerta do relatório para a tomada de decisões práticas e realistas é direto e objetivo: "a prevalência de obesidade em jovens demanda ações preventivas focadas em mudanças comportamentais, modificação de hábitos alimentares e o incentivo à atividade física moderada regular". E conclui: "as sementes da morbidez na idade adulta, como doenças vasculares e metabolismo alterado, são plantadas na infância."

Última atualização: 13/09/2006


Envelhecimento na Mulher

Efeitos do hipoestrogenismo e do envelhecimento sobre a pele

Este artigo consiste numa revisão da literatura sobre os efeitos de diversos fatores influenciadores do envelhecimento cutâneo, incluindo hipoestrogenismo.

Introdução

O climatério corresponde a um período de transição entre a menacme e a senilidade sendo devido, basicamente, ao gasto progressivo dos folículos ovarianos até que ocorra seu esgotamento, quando então se instala como resultante, o hipoestrogenismo e a menopausa. Os limites do climatério não são claramente estabelecidos, entretanto, acredita-se que o início ocorra ao redor dos 40 anos e o término, aos 60 - 65 anos de idade, podendo ser classificado em: pré, peri e pós-menopausal. Por outro lado, sabe-se que o último período menstrual que caracteriza a menopausa ocorre, em média, entre os 45 e 54 anos; em nosso meio, entre os 45 e 50 anos.

Isso significa que a mulher irá viver cerca de um terço de sua vida (20 a 30 anos) no período denominado climatério. O hipoestrogenismo da pós-menopausa tem sido cada vez mais relacionado ao aparecimento de diversos sinais e sintomas, implicando na piora da qualidade de vida (Sá e cols., 1996).

À despeito da relativa pequena importância atribuída às mucosas, pele e seus anexos na pós-menopausa, os mesmos também sofrem importantes alterações influenciadas pelo hipoestrogenismo que poderão interferir no bem-estar da mulher. Essas alterações parecem ser potencialmente reversíveis com a instituição da TRH. Embora existam várias referências a esse respeito na literatura científica, ainda existem certas controvérsias sobre as influências da TRH sistêmica na pele em mulheres menopausadas.

Considerações gerais sobre a pele

Maior órgão do corpo humano, a pele tem participação importante na proteção contra agressões do meio ambiente, impedindo a perda de fluidos corpóreos essenciais, a invasão de agentes tóxicos, microorganismos e quantidades excessivas de radiação ultravioleta, protegendo contra correntes elétricas de baixa voltagem, forças mecânicas e temperaturas elevadas. A pele é composta basicamente, por duas camadas principais: a epiderme com sua membrana basal e a derme, abaixo das quais, encontra-se o tecido adiposo. A epiderme é epitélio estratificado, no qual se reconhecem distintas camadas celulares; ela está em contato direto com o meio ambiente, sendo formada por camadas ordenadas de células chamadas queratinócitos,cuja função básica consiste em sintetizar queratina. A derme é a principal camada da pele e, embora também apresente diversos tipos de células, é muito mais fibrosa que celular; seu mais importante constituinte são as fibras colágenas e elásticas (Arnold e cols.,1990).

As fibras colágenas

A pele humana contém nove diferentes tipos de colágeno, sendo que aproximadamente 80% corresponde ao tipo I e 15% ao tipo III. O colágeno I é a principal molécula constituinte da pele, correspondendo à cerca de 70% de seu peso desidratado; o colágeno III predomina na pele humana durante o período fetal. O colágeno tipo IV é produzido pelos queratinócitos e secretado no espaço extracelular; sua concentração também diminui durante o processo de envelhecimento, principalmente após os 35 anos de idade, apresentando correlação inversa com a membrana basal, que aumenta em espessura. Esse fato indica haver redução na atividade metabólica da epiderme. As fibras colágenas são o principal fator responsável pela resistência da pele. A diminuição da quantidade de colágeno tipo I na pele leva à diminuição da espessura da derme, tornando-a mais transparente e vulnerável a agressões.

As fibras elásticas

A fibra elástica madura consiste basicamente de elastina e microfibrilas, sendo a elastina, seu maior componente. Estas fibras encontram-se dispostas na derme de tal maneira a formarem uma rede, podendo ser divididas em três tipos: as mais superficiais são as oxitalânicas, em formato de taça com a concavidade voltada para a face inferior da epiderme; logo abaixo, seguem as fibras elaunínicas, com disposição perpendicular à epiderme e por fim, as fibras elásticas verdadeiras (ou maduras), dispostas paralelamente à epiderme, localizando-se mais abaixo das fibras elaunínicas. Somadas, as fibras elásticas correspondem a cerca de 2 a 4% da pele desidratada, contribuindo muito pouco com a resistência,deformação e tensão, embora participem em certo grau, da elasticidade da pele.

Envelhecimento Cutâneo

Envelhecimento é um fenômeno multifatorial, composto por várias etapas e caracterizado pela diminuição da habilidade de um sistema em responder ao estresse endógeno e/ou exógeno, seja(m) ele(s) exercido(s) através de agentes químicos, físicos ou biológicos. Vários são os fatores que contribuem na determinação da aparência senil da pele, dentre eles a carga genética, a toxicidade do meio ambiente e a dieta, a exposição crônica e cumulativa a luz solar, as forças mecânicas aplicadas ao tecido conjuntivo, os hormônios e alterações do colágeno. Dentre todos estes fatores, os mais importantes são a exposição solar, a idade cronológica e a menopausa. O tabagismo pode levar a isquemia crônica da derme, diminuição dos níveis de colágeno e vitamina A; este último efeito pode aumentar o impacto dos radicais livres sobre a pele. Dessa maneira, o tabagismo pode aumentar em 2 a 3 vezes o número de rugas faciais em homens e mulheres caucasianos. Tanto o envelhecimento cronológico quanto o devido a exposição solar estão relacionados à acentuada diminuição da vascularização da derme.

Alterações cutâneas relacionadas ao envelhecimento cronológico

O envelhecimento celular parece ocorrer devido à célula permanecer em repouso na fase G1/S da mitose. Existem evidências indicando que as células senis sintetizam proteína capaz de inibir a proliferação celular, pois quando extraída e microinjetada em outras células, inibiu as mitoses. Certos genes conhecidos como supressores tumorais controlam a replicação celular. Não existem evidências que os mesmos apresentem-se com atividade aumentada nas células senis, mas é possível que as proteínas sintetizadas à partir do m-RNA codificado por esses genes possam se acumular na forma ativa, inibindo a síntese de DNA. Além da ação dos genes inibitórios, outros genes envolvidos na replicação celular podem estar inibidos nas células senis. As células epidermais de Langerhans diminuem em número, acreditando-se que isso dificulte a resposta imunológica da pele Os fibroblastos da derme apresentam capacidade de replicação limitada entre 50 a 100 duplicações, quando então, param de replicar em resposta a fatores de crescimento. A análise de fragmentos de pele não expostos a luz solar mostrou que o processo de envelhecimento da pele pode manifestar-se através da diminuição do número de microfilamentos, aparecimento de inclusões eletrodensas na matriz de elastina, fragmentação e desintegração das fibras .

Fenômenos influenciados pelos estrogênios podendo sofrer influência dos androgênios:
· diminuição da espessura epidérmica (atrofia);
· diminuição da espessura da derme (atrofia);

Fenômenos provavelmente influenciados pelos estrogênios:
· fragmentação das fibras elásticas.

Fenômenos provavelmente influenciados pelos androgênios:
· diminuição da produção de sebo;
· diminuição do número e função das glândulas apócrinas;
· diminuição do crescimento dos pêlos.


Alterações cutâneas devidas ao envelhecimento solar

A exposição excessiva a luz solar é fator de extrema importância no processo de envelhecimento cutâneo. O mecanismo deve-se a radiação ultravioleta que agride a pele, sendo responsável pelo aparecimento de rugas e sulcos, alterações da pigmentação, telangiectasias, queratose actínica, carcinomas basocelulares e espinocelulares além de, possivelmente, os melanomas, (Callens e cols., 1996). As lesões verificadas nas fibras elásticas da pele expostas ao sol são do tipo degenerativo (Braverman & Forfenko,1982). Em estudo que comparou a pele facial com a do antebraço em 170 mulheres saudáveis, verificou-se que a primeira encontrava-se mais afilada e com menor elasticidade que a segunda, principalmente na extremidade lateral dos olhos e zigomas, áreas mais expostas à ação da luz solar, concluindo que a luz do sol exerce efeito considerável na espessura e propriedades físicas da pele. Estudo investigando a natureza do material elastótico de pele submetida a exposição solar, verificou que o mesmo era constituído principalmente, de elastina e proteínas microfibrilares, com pequena presença de colágeno tipo I, III e IV, sugerindo que a elastose solar origina-se, basicamente de alterações das fibras elásticas (Bernstein e cols., 1996). A derme com elastose solar apresenta degenerações basófilas em sua porção superior; os feixes de fibras colágenas são substituídos por material granular amorfo, de coloração basófila (Lever e Schaumberg-Lever, 1990).

Os efeitos da radiação ultravioleta foram estudados na pele das nádegas de homens e mulheres, medindo-se as concentrações de 3 metaloproteases matriciais (enzimas proteolíticas envolvidas na degradação das moléculas de colágeno expostas ao envelhecimento solar). Demonstrou-se que a degradação das fibras colágenas tipo I aumentava cerca de 58% após uma única irradiação. Esses resultados sugerem que múltiplas exposições à irradiação ultravioleta poderiam levar a elevações permanentes das metaloproteases, contribuindo para o envelhecimento solar.


Alterações da pele devidas ao envelhecimento solar

· rugas e dobras
· manchas solares
· telangiectasias
· pigmentação
· púrpura senil
· queratose actínica
· carcinomas espinocelulares e basocelulares
· melanomas

Com o envelhecimento, a pele não exposta à luz solar apresenta desaparecimento progressivo do tecido elástico na derme papilar, principalmente das fibras oxitalânicas. Na pele exposta a ação solar, particularmente nas pessoas que apresentam pele branca, verifica-se a ocorrência de hiperplasia, geralmente em torno dos 30 anos de idade, mesmo quando a pele apresenta-se com aspecto normal, de modo que praticamente nenhuma pessoa com idade superior a 40 anos apresenta tecido elástico normal na pele facial. O número de fibras está aumentado, encontrando-se mais espessas, onduladas e entrelaçadas.


Alterações cutâneas devidas ao hipoestrogenismo

Existem várias referências na literatura, que indicam haver possível relação entre os esteróides sexuais e a pele e seus anexos. A primeira aparece em 1941, quando se relatou possível associação entre pele fina e osteoporose, sugerindo-se que ambos achados poderiam ser devidos à atrofia generalizada resultante da perda da função gonadal.Posteriormente surgiram diversos outros trabalhos, a maioria demonstrando o espessamento da pele em mulheres menopausadas que receberam tratamento hormonal através de administração tópica ou sistêmica.

A pele apresenta receptores estrogênicos e androgênicos (Stumpf e cols.,1976), tendo sido relatadas maiores concentrações de estradiol nas camadas basais da epiderme. Em mulheres, a investigação dos efeitos dos hormônios sexuais sobre o envelhecimento da pele concentram-se basicamente nos estrogênios; nos homens, existem poucos estudos sobre a influência da testosterona, embora não existam trabalhos mostrando os efeitos do envelhecimento sobre os receptores androgênicos, ainda que tenha sido descrita diminuição da atividade da 5 alfa-redutase com o aumento da idade no prepúcio. Desse modo, a influência dos androgênios nas alterações dos queratinócitos e fibroblastos relacionadas ao envelhecimento ainda devem ser melhor investigadas.

Estudando a pele de mulheres hirsutas com idades variando entre 17 e 38 anos com a pele de mulheres normais, através de método radiológico para medição da espessura e biópsia para a quantificação de colágeno, verificou-se que a espessura da pele estava aumentada de maneira evidente em algumas mulheres do primeiro grupo, embora não se verificasse aumento significante ao analisar este grupo no global. Verificou-se ainda, aumento das concentrações de colágeno nas hirsutas, embora o mesmo não fosse estatisticamente significante.

Após a menopausa as diferentes camadas da pele estão alteradas. A camada córnea está marcadamente reduzida, a epiderme subjacente está adelgaçada, apresentando achatamento das cristas interpapilares e junção dermoepidérmica. A hipoderme também poderá diminuir com a idade, agravando as condições da pele.

Os mecanismos de alteração mais importantes no envelhecimento cutâneo são a diminuição das secreções endócrinas e o estreitamento das arteríolas cutâneas. Estas alterações afetam as reações enzimáticas do tecido conjuntivo e estruturas epiteliais, interferem com a nutrição tissular e com o metabolismo dos tecidos colágeno, elástico, adiposo e muscular (Fonseca e cols., 1995).

Assim, o hipoestrogenismo tende a acelerar o envelhecimento cutâneo, tal como o faz no leito vascular e ossos. A ausência de progesterona aumenta o impacto dos androgênios nas glândulas sebáceas, pêlos corpóreos e cabelos diminui a atividade mitótica da camada basal da epiderme, reduz a síntese de colágeno e, provavelmente, a quantidade de fibras elásticas. Isso contribui para o adelgaçamento de toda a junção dermoepidérmica, com perda do viço e a degradação das propriedades mecânicas, em especial, a resistência a choques mecânicos, além de diminuição progressiva da pilosidade, principalmente axilar e pubiana. O hipoestrogenismo pode ser espontaneamente atenuado pela síntese local de estradiol no tecido adiposo.

Os efeitos proliferativos dos estrogênios no epitélio vaginal já são conhecidos há bastante tempo. Recentemente demonstrou-se através da análise simultânea de esfregaços de mucosa conjuntival e vaginal em diferentes fases do ciclo, que ambos epitélios sofrem as mesmas influências estrogênicas, embora o primeiro, em menor grau. É provável que de modo semelhante, os efeitos proliferativos estrogênicos se estendam a outros epitélios, tais como as mucosas intestinais, podendo neste caso, interferir positivamente em certos aspectos do metabolismo digestivo.


Discussão

Embora a idade cronológica contribua para a perda de colágeno, seus efeitos não se comparam aos do hipoestrogenismo prolongado. De fato, um dos efeitos mais importantes dos estrogênios na pele é sua ação sobre o colágeno. Quando exposta ao regime de hipoestrogenismo, a pele feminina apresenta perda de colágeno tanto maior quanto for o tempo de exposição e isso pode ser revertido total ou parcialmente, dependendo da gravidade da perda e, evidentemente, do tipo de tratamento empregado. Os efeitos estrogênicos no colágeno cutâneo foram comprovados em diferentes regiões do organismo (Brincat e cols., 1987a), (Brincat e cols., 1987b). Esses resultados aplicam-se principalmente ao colágeno tipo I, principal constituinte da derme, entretanto, verificou-se que as concentrações de colágeno tipo III também respondem positivamente a administração estrogênica.

A epiderme funciona como barreira contra a desidratação da pele e de todo o organismo. Sabe-se que a capacidade de retenção hídrica do estrato córneo está diminuída em mulheres menopausadas e essa característica pode ser revertida através do tratamento estrogênico. Interessante é destacar-se o fato do enfraquecimento dessa barreira poder estimular a produção de citoquinas, implicando em maiores chances do aparecimento de dermatoses como psoríase e eczemas em pacientes predispostas.

Praticamente não existem referências sobre os efeitos dos esteróides sexuais sobre as fibras elásticas da pele. Faz-se menção ao fato de que as mesmas parecem apresentar-se menos fragmentadas a microscopia eletrônica, após o tratamento, embora não aumentem em quantidade

Como apresentado, a pele (e seu colágeno) sofre influências de diversos fatores, mas principalmente do envelhecimento solar e da carência de esteróides sexuais. Ao avaliarmos a resposta da pele de diferentes locais do corpo ao tratamento hormonal, devemos considerar que as áreas de exposição solar não responderão necessariamente, da mesma forma que as áreas não expostas. Por outro lado, existem outros fatores de interferência a serem considerados, como por exemplo, a o índice de massa corpórea, uma vez que a conversão periférica de estrona pode estar aumentada em mulheres obesas.

Embora a maioria dos resultados indique que os estrogênios atuam positivamente na pele, ainda são necessários mais estudos, principalmente com respeito aos efeitos da TRH sistêmica para se chegar a conclusões mais definitivas.

Última atualização: 13/08/2006


A cosmetologia atualmente vem ganhando importância, pois o simples enfoque estético começa a ganhar a visão científica

O cosmético tem como finalidade tratar a pele de maneira a prevenir a sua deterioração e restabelecer o seu equilíbrio fisiológico quando este for passível de uma alteração. O cosmético deve limpar, corrigir, proteger e embelezar a pele e anexos.

A pele é o maior órgão do corpo humano e um dos mais complexos, exercendo uma função principal de proteção e revestimento. A pele protege o corpo contra agressões do meio ambiente e funções sensoriais (calor, frio, pressão, dor, tato), além de ter o seu importante papel na regulação térmica, defeso orgânica e controle do fluxo sangüíneo. Os pêlos, unhas e cabelos constituem os seus anexos. A epiderme é a unidade mais superficial da pele exibindo a camada córnea, que se assenta sobre um tecido de sustentação fibrilar chamado derme. A derme, por sua vez se repousa sobre uma camada célulo-adiposa também conhecida como tecido subcutâneo ou hipoderme.

É importante lembrar que o termo cosmético deve se limitar aos produtos com ação superficial, sem caráter terapêutico, não penetrando na estrutura celular ou fazendo sinergia com o sistema circulatório. Qualquer ação em profundidade sobre a pele e anexos, com produtos que alteram a estrutura celular, passa ao domínio médico e deve ser visto como medicamento.

A camada córnea da pele contém aproximadamente de 10 a 20% de água e o seu grau de hidratação decorre do equilíbrio entre a água fornecida (endógena ou exógena) e as perdas por evaporação. A película hidrolipídica da superfície da pele, emulsão formada pelo sebo cutâneo, suor e seus componentes têm papel importante na retenção da água. Certos produtos, devido aos seus componentes ou formulação, permitem diminuir os problemas relacionados com a desidratação da pele. Quando saudável e hidratada, a pele apresenta um aspecto brilhante e de plasticidade. Uma pele desidratada perde suas propriedades biomecânicas, biológicas e, sobretudo estéticas, pois o seu aspecto torna-se opaco, áspero, sem elasticidade e com tendência a descamação.

A desidratação da pele pode ser evitada diminuindo-se ou evitando-se as agressões externas ou utilizando produtos que corrigem e restabelecem o equilíbrio biológico.


Novas Buscas

A busca de novas matérias-primas para o desenvolvimento de formulações cosméticas, cada vez mais compatíveis e inócuas aos diferentes tipos de pele, bem como o avanço e a perspectiva de novos ativos com finalidades dermocosméticas, têm sido uma constante por parte dos farmacêuticos, químicos, dermatologistas e da indústria de cosméticos.

Segundo a farmacêutica industrial, os produtos de beleza e tratamento cosmético dividiam-se tradicionalmente em dois grupos: os extraídos de fontes naturais e aqueles obtidos por síntese. Hoje se sabe que a maior parte das substâncias utilizadas na formulação de cosméticos pertence ao grupo dos "produtos naturais modificados" que embora obtidos na natureza, foram modificados estruturalmente para apresentar propriedades mais atenuantes ou menos tóxicas.

Inúmeras são as substâncias empregadas nas formulações cosméticas para atenuar ou proteger a pele contra as agressões e envelhecimento, mas a cosmetologia não passaria de um álibi, uma mera ilusão, se os fatores intrínsecos e extrínsecos como exposição ao sol, tabagismo, alimentação, sedentarismos físicos e intelectuais não forem controlados e evitados. Além do envelhecimento cutâneo intrínseco, geneticamente determinado, os fatores extrínsecos são determinantes, especialmente a radiação solar responsável pelo fotoenvelhecimento.

A pele envelhecida intrinsicamente apresenta-se delgada, pouco elástica e finamente enrugada, com acentuação das linhas de expressão do rosto. Já a pele fotoenvelhecida se caracteriza histologicamente, pela displasia epidérmica, com vários graus de atipia citológica, infiltrados inflamatórios, redução do colágeno e elastose (degradação do material elástico). Portanto, o envelhecimento intrínseco da pele resulta em atrofia, enquanto o fotoenvelhecimento em hipertrofia. Esta distinção nem sempre é clinicamente evidente, mas nos casos ideais nota-se um envelhecimento intrínseco da pele com rugas finas, enquanto a pele fotoenvelhecida apresenta um enrugamento grosso e sulcado.


Necessidade de Proteção e os novos avanços

O reconhecimento de que a proteção solar pode reduzir ou até reverter os efeitos do fotoenvelhecimento da pele levou à inclusão de filtros solares nas preparações de bronzeadores, bases faciais, hidratantes, shampoos e batons. O desempenho de um protetor solar depende da concentração do filtro solar e de sua capacidade de permanecer na pele. Geralmente os filtros solares disponíveis não bloqueiam a energia luminosa entre 320 e 400 nm, conhecidos como região de raios ultravioleta-A (UVA). Os filtros solares entretanto absorvem 95% da radiação UV dentro dos comprimentos de onda 290 a 320 nm (espectro dos raios ultravioleta-B / UVB), também conhecido como região de queimadura solar, pois estes comprimentos de onda da energia luminosa produzem eritema e enrugamento cutâneo.

Os retinóides, como por exemplo a tretinoína, também podem reverter as modificações cutâneas fotoinduzidas. A tretinoína é um dos vários derivados da Vitamina A e demonstrou transformar a epiderme atrófica trazendo uma melhora do aspecto cutâneo rugoso. Entretanto não melhora o enrugamento associado às linhas de expressão facial. A pele do rosto tratada com tretinoína também apresenta novas sínteses de colágeno das papilas dérmicas, novas formações de vasos sanguíneos e esfoliação do estrato córneo acumulado. Ainda se desconhecem os efeitos da tretinoína sobre o envelhecimento intrínseco. Vários graus de eritema e dermatites são comuns em pacientes tratados com tretinoína, nas primeiras duas a seis semanas. Este efeito irritante (ardor, prurido e descamação) costuma desaparecer com o passar do tempo e com a descontinuidade da aplicação. A tretinoína é fotoinativada e aumenta a fotossensibilidade cutânea, de forma que a sua aplicação é recomendada à noite. Os pacientes também devem usar protetores solares. Os resultados podem ser percebidos a partir de 4 meses em pacientes que usam tretinoína tópica diariamente.

O rejuvenescimento facial é hoje uma realidade, alcançada através dos peelings químicos e aplicação de Laser (Light accumulated by stimuleted eletron radiation) que diferentemente da cirurgia plástica, que objetiva aumentar ou reduzir tecidos cutâneos, promovem um aspecto jovem e mais natural para a pele.

O peeling pode ser definido como um processo no qual se utilizam diversos agentes capazes de promover uma descamação das camadas superficiais da pele, ativando mecanismos biológicos que estimulam a renovação e o crescimento celular desde as camadas mais profundas da pele. Resultado disso é uma pele mais saudável, lisa, uniforme e rejuvenescida.

O peeling químico, utilizando ácido glicólico ou retinóico, tem mostrado resultados muito satisfatórios na melhoria da textura e aparência da pele danificada pelo sol. Outros produtos como ácido salicílico ou ácido tricloroacético também são utilizados em peelings superficiais e de média profundidade, respectivamente.

Os alfa-hidroxiácidos são também chamados de ácidos frutais devido à sua obtenção a partir de fontes naturais como a maçã, uva, cana-de-açúcar e frutas cítricas. Embora utilizados há centenas de anos como agentes hidratantes e refrescantes da pele, os alfa-hidroxiácidos foram recentemente empregados no tratamento da acne, pele fotoenvelhecida, pigmentação e em rugas finas.

Este grupo de ácidos orgânicos, em especial o ácido glicólico, quando usado regularmente, age como esfoliante, promovendo uma remoção de corneócitos (células mortas) da camada superior da epiderme e permitindo que células mais jovens que emergem a superfície, facilitando a penetração de outros princípios ativos associados a ele.

Existem diversos produtos no mercado contendo alfa-hidroxiácidos em baixas concentrações e que são seguros para uso domiciliar. Soluções muito concentradas de ácido glicólico, no entanto só devem ser aplicadas pelo dermatologista, com rigoroso controle sobre o tempo de exposição à pele. Por se tratar de um leve esfoliante, vários tratamentos podem ser requeridos até que se atinja os resultados esperados.

O peeling com ácido glicólico é bastante seguro, não requer afastamento do indivíduo de suas atividades regulares e ao contrário do ácido retinóico, raramente causa sensibilidade à luz solar, vermelhidão ou irritação na pele. Existem algumas contra-indicações ao uso do peeling com ácido glicólico para os pacientes portadores de herpes, eritemas persistentes, cicatrizes hipertróficas, gestantes e em pele negra.

Os efeitos secundários relacionados ao emprego de cosméticos e produtos para cuidados pessoais são raros se considerarmos o grande número de pessoas que entram em contato com as mais variadas substâncias utilizadas nestes produtos. A dermatite de contato irritativa é o efeito colateral mais comum induzido por cosméticos. Manifesta-se por eritemas que causam ardor e coceira à pele, podendo apresentar microvesículas e descamação. Trata-se de um dano ao nível do estrato córneo, sem fenômenos imunológicos. A irritação pode ser conseqüência do pH das formulações ou veículos que dissolvem o sebo protetor da pele. Além disso, a fricção ou partículas abrasivas dos cosméticos também podem causar irritação. Uma vez danificada a camada córnea, esta deixa de exercer a função protetora e qualquer cosmético aplicado sobre a pele poderá causar uma irritação.

A dermatite de contato alérgica é um fenômeno imunológico, que necessita da presença de um antígeno e de células produtoras de antígenos, sem considerar a condição do estrato córneo protetor. Portanto, um estrato córneo íntegro não evita o desencadeamento de uma dermatite de contato alérgica nos indivíduos sensibilizados. As causas mais comuns de dermatite alérgica induzida por cosméticos são as essências, seguidas pelos conservantes. Uma outra manifestação ao uso de cosméticos pode ser a urticária de contato, caracterizada por pápulas e rubor após aplicação tópica de um produto químico, ou podendo ser generalizada com reação anafilática.


Relação causa e efeito

Pode-se dizer então que a ação dos cosméticos sobre a pele pode causar uma "irritação" caracterizada por um efeito cáustico, geralmente proporcional à dose (concentração) e que se difere da "intolerância" aos cosméticos, que é um fator individual e não depende da concentração do alergênico.

Um tipo de acne de baixo grau, caracterizada por comedões fechados foi descrito por Kligman e Mills como acne cosmética, induzida por substâncias presentes nos cosméticos, apresentando em alguns casos uma erupção pápulo-purulenta. Quando se avalia o potencial comedogênico de um cosmético deve-se levar em conta sua concentração e seu potencial comedogênico quando associado com outras substâncias. Sabe-se que nem todas as bases oleosas necessariamente produzem comedões podendo ser acnegênicos e não comedogênicos. Entretanto, recomenda-se para peles oleosas e com acnes, os géis, evitando-se o uso de cremes com alto conteúdo lipídico.

Finalmente podemos concluir que tanto os cosméticos de superfície como os bioativos têm seus limites de atuação e os resultados vão depender da quantidade e qualidade do manto hidrolipídico. Apesar de grandes esforços e avanços na cosmetologia e no campo da fisiologia da pele, é pequeno o conhecimento sobre as reais modificações de ordem biológica do tecido cutâneo. Muitas pessoas ainda acreditam em efeitos milagrosos dos cosméticos esquecendo-se que os melhores resultados somente serão obtidos quando aliado aos cosméticos encontrarmos hábitos saudáveis de vida.

Última atualização: 17/11/2005


Formulações Transdérmicas

Introdução

A via transdérmica é uma alternativa às vias de administração tradicionais, que permite o controle da absorção de determinada quantidade de fármaco carreado através de lipossomas ou facilitadores de penetração até os tecidos e corrente sangüínea. É indicada para tratamentos sistêmicos que possibilitam a prescrição de baixas concentrações do fármaco, diminuindo a toxicidade sistêmica. Além das vantagens já descritas anteriormente, são vários os motivos que geram maior adesão ao tratamento e diversas classes de medicamentos com eficácia comprovada estão sendo utilizadas através do sistema transdérmico. Exemplos: antiinflamatórios não hormonais, relaxantes musculares, anti-histamínicos, antieméticos, hormônios sexuais, etc.

Variações de bases transdérmicas

  • DMSO 70% em gel ou creme - O DMSO é um solvente facilitador da penetração cutânea que aumenta o fluxo de substâncias através do estrato córneo. Apresenta toxicidade e irritação local com uso prolongado, sendo indicado somente para tratamentos de afecções agudas.
  • Microemulsão transdérmica (PLURONIC ou PLO) - Microemulsão lipossomal fosfolipídica de alta permeabilidade cutânea e baixa toxicidade. Pacientes alérgicos a alimentos contendo ovo podem apresentar reações alérgicas devido ao conteúdo de lecitina na emulsão. As doses por aplicação, principalmente da microemulsão, geralmente não ultrapassam a um mililitro para facilitar a absorção e reduzir o sensorial untuoso. Outras ações como a leve fricção e espalhamento sobre uma área maior da região onde será aplicado o medicamento, também auxiliam a otimizar o resultado final do tratamento.

Considerações Importantes

  • Fatores biológicos que aumentam a absorção
    Pele hidratada (geralmente as mulheres apresentam pele mais hidratada, exceto na menopausa);
    Irrigação sangüínea;
    Espessura fina da pele;
    Região da pele: Genitais > Áreas da cabeça > Tronco >Membros.
  • Fatores biológicos que dificultam a absorção
    Pigmentação;
    Idade (pele envelhecida está mais compactada);
    Acúmulo de tecido adiposo.

Esses fatores são importantes ao determinar o local da aplicação, sendo utilizados para acelerar ou dificultar a absorção dependendo das características que o paciente apresentar. Ou seja, fatores que dificultam a absorção podem ser favoráveis aos pacientes que apresentam pele pouco espessa e pouco pigmentada.

  • Fatores relacionados ao fármaco que afetam a absorção
    Quanto maior a concentração, maior a absorção.
    Peso molecular alto (acima de 800 daltons) dificulta a absorção;
  • Fatores físicos que afetam a absorção
    Temperatura quente aumenta a absorção
    Clima úmido aumenta a absorção.
  • Facilitadores da Penetração cutânea

Essas substâncias podem ser utilizadas em formulações em geral ou associar a fármacos de alto peso molecular, com o objetivo de aumentar a penetração (as bases transdérmicas já citadas, não necessitam dessa associação). Exemplos:

Solventes - DMSO, etanol, propilenoglicol, acetona, acido oléico, miristato de isopropila,etc.
Queratolíticos - Ácido salicílico e uréia.
Agentes anfifílicos - Lipossomas e surfactantes.
Outras substâncias - Lecitina, mentol, etc.

Última atualização: 25/10/2005


Existe benefício das vitaminas ingeridas na forma de pílulas?

Pela lógica simplista, já que frutas, verduras e peixes contêm grande quantidade de nutrientes saudáveis, por que não isolar e purificar todas as vitaminas desses alimentos, e tomá-las na forma de pílulas? E uma quantidade maior não seria melhor para a nossa saúde? Pensando desta forma poderíamos deixar de comer brócolis, laranjas, queijos e peixes, e deixar que vários tabletes de vitaminas e suplementos forneçam um escudo protetor contra o câncer, doenças cardíacas, gripes, e outras enfermidades. É uma hipótese bem plausível, no entanto, quando ela foi submetida a testes rigorosos, não foi confirmada. Trata-se de uma idéia perigosa e simplista. O maior perigo é o psicológico. O risco é que as pessoas pensam que, se tomam cápsulas de vitaminas e suplementos, não precisam se exercitar e podem fazer uma alimentação insuficiente e de má qualidade. Além disso, o combate ao envelhecimento cutâneo não se baseia apenas na alimentação, mas também com outros cuidados do corpo e da pele (filtros solares, atividade física, hidratação e herança genética).

Nos vegetais frescos, por exemplo, as vitaminas mantêm suas propriedades naturais íntegras e a sua ação no nosso organismo é resultado da interação de vários componentes e nutrientes contidos nestes alimentos, além da própria vitamina. Quando uma vitamina é isolada numa cápsula, sua ação é limitada e às vezes prejudicial ao nosso organismo. Por motivos que os cientistas ainda não identificaram, o corpo processa as vitaminas de maneira diferente quando elas são administradas na forma de alimentos ou de pílulas, provavelmente porque os alimentos interagem uns com os outros de uma forma que auxilia a absorção de nutrientes. Os especialistas em nutrição dizem que até o momento os cientistas que trabalham nos laboratórios não conseguiram superar aquilo que a natureza faz a milhares de anos. No entanto, oferecer conselhos sobre nutrição nunca é algo tão simples quanto dizer "tome as suas vitaminas", ou, mesmo, "não tome as suas vitaminas". E, para complicar ainda mais as coisas, a resposta obtida com as pílulas de vitaminas não é a mesma para todos. É claro que muita gente ainda é devota das vitaminas. Muita gente continua tomando suplementos, apesar das advertências de que as pílulas podem não ajudar em nada. Muitas pessoas são cabeças-duras. Os pesquisadores insistem que a maneira de se ter uma vida longa e saudável não é ingerir grandes quantidades de pílulas, mas sim ter uma dieta saudável e balanceada.

Megadoses de Vitaminas

Grande parte das críticas recentes envolvendo as vitaminas têm girado em torno das megadoses, que podem ser 10, 20 ou 30 vezes acima das quantidades diárias recomendadas. A promessa de saúde vinculada às pílulas com altas doses de vitaminas tem sido cada vez mais contestada por pesquisas científicas de qualidade, como foi publicado no The Journal of the American Medical Association, no mês de julho de 2005. Cientistas que escrevem para periódicos de medicina atacaram a idéia de que altas doses de vitaminas podem reduzir a ocorrência de doenças potencialmente fatais. Eles argumentam que, em certos casos, suplementos excessivos podem ser até prejudiciais. Veja alguns exemplos:

Beta-caroteno: a substância tem sido apresentada como o maior combatente do câncer e do envelhecimento cutâneo, por ser um antioxidante natural. Mas em um estudo recente os pesquisadores demonstraram que altas doses desse nutriente, que o corpo converte em vitamina A, na verdade aumenta em mais do dobro a probabilidade de que um fumante venha a sofrer de câncer de pulmão. J Natl Cancer Inst 2005;97:1338-1344.

Ácido Fólico: os médicos ainda encorajam as mulheres a tentarem engravidar tomando suplementos que incluem essa substância, porque estudos científicos demonstraram que ela previne os defeitos de nascença. Mas descobertas recentes reduziram as esperanças de que o ácido fólico possa ajudar a combater as doenças cardíacas, e um estudo sugeriu que pacientes cardíacos que ingerem grande quantidade de ácido fólico após uma operação de desobstrução de artérias têm maior probabilidade de sofrer novas obstruções.

Vitamina C: Tomar doses excessivas de vitamina C na verdade pode gerar dependência, porque seu corpo se acostuma a funcionar com níveis mais elevados. Com a interrupção súbita dessa ingestão extra, ironicamente, ocorre uma condição chamada "escorbuto de rebote". O excesso também pode levar à formação de cálculos renais. Um estudo recente mostra que megadoses de vitamina C podem na verdade acelerar a esclerose arterial (endurecimento das artérias). Pesquisadores da University of Southern California estudaram 573 homens e mulheres saudáveis de meia idade, não-internados. Aproximadamente 30% deles tomaram várias vitaminas regularmente. O estudo não constatou sinais claros de que altas quantidades de vitamina C provenientes da dieta ou multivitamínicos diários causasse algum prejuízo. Mas aquelas pessoas que tomaram pílulas de vitamina C tiveram acelerado espessamento das paredes das grandes artérias do pescoço. Quanto maior a dose usada, mais rápido o processo. Houve também um alerta para pacientes com câncer sobre o perigo das megadoses. É provável que grandes doses da vitamina possam na verdade proteger células tumorais contra radiação, quimioterapia e radicais livres, uma vez que a vitamina C tem propriedades antioxidantes. Doses elevadas de vitamina C tem sido relatadas como causadoras de reações alérgicas e vasculites alérgicas em mulheres.

Vitamina D:
estudo publicado este ano no periódico The Archives of Internal Medicine, revelou que ela não desacelerou a perda óssea em mulheres negras idosas, como havia sido previsto.

Vitamina E: publicado este ano no The Journal of the American Medical Association, concluiu que para a maioria das mulheres, grandes doses de vitamina E não têm nenhum efeito no sentido de prevenir problemas do coração. Em dermatologia o seu uso é recomendado dentro das doses usuais, não excedendo 400 UI por dia, ou menos.

Multivitamínicos

Até mesmo as multivitaminas, que costumam conter a dose diária recomendada de uma gama de nutrientes, não são universalmente aceitas pelos nutricionistas. Para alguns cientistas, não existem evidências de que as multivitaminas sejam perigosas, mas não há nenhuma prova convincente de que elas impliquem em algum benefício apreciável.

Outros especialistas acreditam que as multivitaminas podem ajudar a restaurar o equilíbrio nutricional comprometido por uma dieta deficiente ou insuficiente, que é muito comum nos dias atuais. Se examinarmos o que as pessoas comem, e houve muitas pesquisas para determinar os níveis de nutrientes e alimentos, encontraremos muitas deficiências. Para algumas pessoas, cuja extrema pobreza impede que se alimentem corretamente, os suplementos podem salvar-lhes a vida. Mas não estamos falando de pessoas com escorbuto ou raquitismo, mas de nutrientes que não estão sendo consumidos por parcelas substanciais da população, incluindo as vitaminas B12 e D. O processo de envelhecimento do organismo está relacionado com a deficiência de nutrientes e em especial a de vitaminas. Muitas pessoas (a maioria) possuem vícios alimentares e são adeptas do fast food e alimentos congelados. Sabe-se que muitas vitaminas são extremamente sensíveis. Se o alimento ficar exposto por mais de duas horas antes de ser ingerido, ele perde 10% das suas vitaminas (principalmente C, folato e B6). Cozinhar, congelar e depois esquentar os alimentos para comer destrói 30% de suas vitaminas. O conteúdo de vitamina C das maçãs cai em 67% depois de dois a três meses após serem colhidas, vegetais verdes perdem toda a sua vitamina C em poucos dias armazenados à temperatura ambiente. Congelar frutas e verduras diminui o conteúdo de vitamina C em 25%. Nestes casos, a suplementação de vitaminas visa cobrir a nossa ingestão deficiente destas vitaminas, que não estão presentes em quantidades adequadas nos alimentos (processados) que ingerimos diariamente. Sabemos que a quantidade de vitaminas que obtemos da alimentação depende do solo onde o produto foi cultivado, o quão fresco o produto está, de como ele foi estocado e a forma como foi preparado. Infelizmente nas cidades onde vivemos ninguém tem espaço e tempo para ter sua própria horta em casa.

Nunca esquecer que aquilo que compramos em um frasco não chega nem perto de proporcionar a riqueza de benefícios que é automaticamente adquirida quando esses nutrientes estão presentes na forma de alimentos frescos. Os multivitamínicos, neste caso, ajudam a suprir o que deveríamos, em tese, estar ingerindo apenas pelos alimentos.

Controvérsias

Os estudos que contestam os poderes das vitaminas para prevenir doenças têm sido alvos de ataques, tanto da indústria de suplementos vitamínicos quanto dos aficionados das pílulas. A Aliança de Educação sobre Suplementos Dietéticos, uma coalizão apoiada pelos fabricantes de suplementos vitamínicos nos USA, ataca regularmente os estudos que criticam as pílulas de vitaminas, argumentando que a ciência está cometendo um erro, e que o que esses estudos geram medo. Para fazer comentários sobre o assunto, a aliança encarregou Mart Traber, professora do Departamento de Ciências de Nutrição e Exercício da Universidade Estadual de Oregon, e, segundo a indústria, especialista na utilidade das vitaminas. Traber concordou que uma dieta saudável combinada com um estilo de vida ativo é a melhor forma de alcançar a boa forma física. Sabemos que a nutrição e os exercícios são fundamentais para uma boa saúde, mas temos ignorado isso. Sempre é mais fácil sentar no sofá e comer salgadinhos do que sair para fazer uma corrida. Todo mundo é preguiçoso.

Pesquisas mais recentes

Osteoporose: de acordo com a Academia Nacional de Ciências - USA, a ingesta dietética recomendada de cálcio para mulheres com idades entre 19 e 50 anos é de 1000mg/dia, enquanto que, em mulheres com idades entre nove e 18 anos, o valor é igual a 1300mg/dia. Foi realizado um estudo por doze meses, patrocinado pelo American Diary Association/National Diary Council, e publicado em Julho de 2005 no Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism (Women who take oral contraceptives can counteract bone loss by increasing calcium in their daily diet), onde pesquisaram a relação existente entre a ingesta dietética diária de cálcio e o uso de anticoncepcionais orais em relação à densidade mineral óssea de pacientes femininas jovens. Pesquisas anteriores revelaram que a otimização da massa óssea na adolescência e na idade adulta precoce previne a diminuição da densidade mineral óssea e o surgimento de osteoporose tardiamente na vida. Por outro lado, anticoncepcionais orais parecem diminuir a densidade mineral óssea. Os resultados desta pesquisa sugerem que muitas mulheres que utilizam anticoncepcionais orais nos anos de pico de desenvolvimento ósseo poderiam reduzir o risco de osteoporose em aproximadamente três a dez por cento em um ano através da ingesta adequada de cálcio. Isso demonstra a importância da ingesta de cálcio, através da alimentação ou via suplementos alimentares.

Memória: alguns alimentos vegetais como batata, rabanete, brócolis, laranja e maçã podem melhorar a memória, segundo estudos realizados no King´s College de Londres. Em extratos destes produtos são encontradas substâncias que agem da mesma forma que medicamentos contra doença de Alzheimer, o que pode ter repercussões na prevenção e tratamento de pacientes com este problema, informou em um comunicado a Sociedade Farmacêutica Real da Grã-Bretanha. "No entanto, ainda não está provado que comer brócolis, por exemplo, tem um efeito benéfico no caso de Alzheimer", disse o professor Peter Houghton, do King´s College de Londres.


Câncer de Próstata: pesquisadores da Laval University Cancer Research Center, em Quebéc, avaliaram se a suplementação diária de vitaminas antioxidantes (vitamina C, vitamina E e beta-caroteno) e minerais (selênio e zinco) reduz a ocorrência de câncer de próstata ou influencia biomarcadores como o PSA. Mais de 5000 homens receberam suplementos ou placebo. Dados dos biomarcadores estavam disponíveis em uma base de dados que foi seguida por 9 anos por uma média de 3616 homens. A suplementação foi associada com 48% de redução na incidência de câncer de próstata entre homens com dosagem de PSA menor que 3microgramas/L. Estes resultados foram publicados no International Journal of Cancer deste ano. Em contraste, homens com níveis de PSA maior ou igual a 3 microgramas/L que receberam suplemento experimentaram uma redução de 54% na incidência de câncer de próstata.A suplementação com vitaminas antioxidantes e minerais não teve impacto claro nos níveis de cinco biomarcadores do câncer de próstata, segundo indica este estudo. O estudo suporta a hipótese que a quimioprevenção do câncer de próstata pode ser alcançada com vitaminas antioxidantes e minerais, mas os pesquisadores recomendam estudos futuros para identificar qual o melhor agente ou qual a combinação mais adequada de agentes para a prevenção e também para determinar quais dosagens são seguras e efetivas.

Câncer de pulmão: as verduras do grupo das chamadas crucíferas já haviam sido associadas à redução dos índices de câncer do pulmão, mas a razão não havia sido descoberta até essa pesquisa. Os cientistas concluíram que comer verduras crucíferas (repolho, por exemplo) pelo menos uma vez por semana reduz o risco de câncer em pessoas com versões inativas de dois genes presentes em 70% das pessoas. Os dois genes, o GSTM1 e o GSTT1, geralmente protegem o corpo de determinadas toxinas. Verduras como repolho, brócolis e brotos de feijão são ricos em substâncias químicas chamadas isotiocianatos, tidos como protetores naturais contra o câncer de pulmão. Geralmente os isotiocianatos são eliminados do organismo por enzimas "limpadoras" produzidas pelos dois genes. Pesquisadores da Iarc, localizada em Lyon, na França, examinaram 2.168 pessoas com câncer no pulmão e outras 2.168 saudáveis, vindas de Polônia, Eslováquia, República Checa, Romênia, Rússia e Hungria, onde essas verduras fazem parte da dieta básica. Foram tiradas amostras de DNA e as suas dietas foram monitoradas. O efeito protetor do gene não foi observado nas pessoas com versões ativas dos dois genes. Entre aqueles que tinham uma versão inativa do GSTM1, no entanto, o consumo semanal dos vegetais aumentou a proteção contra a doença em 33%. Cerca de metade das pessoas tem essa forma de gene. Nos participantes com uma versão inativa do GSTT1, o aumento da proteção foi ainda maior - 37%. Apenas um quinto dessas pessoas tem esse gene. Em indivíduos com versões inativas dos dois genes - situação que se aplica a 10% da população - o efeito protetor foi de 72%. Essas informações fornecem fortes provas de que um efeito protetor substancial de verduras crucíferas sobre o câncer de pulmão. Outro pesquisador da equipe ressaltou que todos os voluntários comiam as verduras e, portanto, não é possível saber, a partir do estudo, se a quantidade ingerida interfere no efeito protetor. A mensagem aqui é que o efeito ambiental depende da herança genética e vice-versa, e enfatizou que o efeito protetor das verduras não eliminaria os malefícios causados pelo cigarro, maior responsável pela incidência de câncer de pulmão. O risco de um fumante regular desenvolver câncer de pulmão é 20 vezes maior do que o de um não-fumante. Portanto, mesmo se o consumo desses vegetais cortar esse risco pela metade, fumantes ainda estariam sob um risco muito maior.

Doenças Cardíacas: durante os últimos anos, níveis sangüíneos elevados de homocisteína (um aminoácido que contêm enxofre) têm sido ligados ao aumento do risco de doença coronariana prematura, derrame e tromboembolismo (coágulos sangüíneos venosos), mesmo entre pessoas que têm níveis normais de colesterol. Níveis anormais de homocisteína parecem contribuir na aterosclerose em pelo menos três maneiras: (1) um efeito tóxico direto que danifica as células que revestem o interior das artérias, (2) interferência com fatores de coagulação, e (3) oxidação das lipoproteínas de baixa densidade (LDL). Níveis elevados de homocisteína podem ser causados por deficiência de vitamina B12 devido a problemas de absorção da B12 causada por atrofia gástrica (dano da parede do estômago). A deficiência de B12 leva a anemia e, se não corrigida a tempo, danificará permanentemente o sistema nervoso. Suplementos de ácido fólico corrigirão a anemia (a qual pode servir como um sinal de alerta antes do dano nervoso se desenvolver), mas não previnem o dano. Por esta razão, pessoas com mais de 50 anos que tomam suplementos de ácido fólico deveriam também tomar ao menos 25 microgramas de vitamina B12 por dia, uma dose grande o suficiente para possibilitar que quantidades adequadas sejam absorvidas. Acredita-se que todos acima dos 50 anos deveriam tomar suplementos de B12 de qualquer forma, porque a atrofia gástrica é comum conforme as pessoas envelheçam.
Importance of both folic acid and vitamin B12 in reduction of risk of vascular disease. Lancet 359:227-228, 2002.


Proteção contra o Câncer: Já se sabe que os brócolis possuem propriedades anticancerígenas, mas os pesquisadores do Instituto de Pesquisa sobre Alimentos, de Norwich - Inglaterra, descobriram que características genéticas de algumas pessoas podem minimizar a proteção que elas recebem do vegetal.
Isto pode ser evitado, segundo os cientistas, pela criação de brócolis que contenham uma concentração maior de sulforafane, a substância responsável pelo efeito anticâncer. O instituto espera que a técnica para conseguir isto esteja desenvolvida no prazo de três anos, mas até lá eles recomendam que as pessoas optem por comer uma grande variedade de verduras, não se resumindo aos brócolis.O coração do problema parece ser um gene chamado GSTM1, que metade das pessoas não possui, de acordo com o cientista Richard Mithen, que lidera a pesquisa. Alguns indivíduos que não têm o gene parecem receber menos proteção contra o câncer. Os estudos sugerem que isto pode ocorrer porque, se você não tem o gene, não consegue reter a sulforafane em seu corpo. Tudo é eliminado em algumas horas. Mas, se você consumir grandes quantidades de brócolis, ou brócolis com maiores níveis de sulforafane, como os superbrócolis, você pode ser capaz de reter tanto sulforafane no organismo quanto as pessoas que têm o gene. Os brócolis pertencem à mesma família do repolho, da couve flor e da couve de Bruxelas. Uma análise de 63 estudos publicados nas últimas quatro décadas concluiu que cânceres de cólon, mama e ovários estão ligados a baixos níveis de vitamina D. Calculam que o consumo diário de mil unidades internacionais (UI) da vitamina pode ser suficiente para reduzir o risco desses tipos de câncer pela metade. Um copo de leite, por exemplo, tem 100 UI.
Fonte: www.bbc.com

Alimentação e Saúde Mental: Estudo realizado na Grã-Bretanha afirma que mudanças na dieta nos últimos 50 anos podem estar relacionadas ao aumento de doenças mentais, como depressão e até doença de Alzheimer. Promovida em conjunto pela organização Sustain e Fundação pela Saúde Mental da Grã-Bretanha (MHF), a pesquisa sugeriu que a forma com que os alimentos passaram a ser produzidos alterou o equilíbrio dos nutrientes mais importantes e necessários na dieta alimentar. Demonstrou, ainda, que as pessoas estão comendo menos alimentos frescos e mais açúcar e gorduras saturadas. No Reino Unido, destacou-se, o desequilíbrio ocorre, entre outros fatores, pela carência de substâncias como o Ômega 3 - cuja grande fonte é o peixe. "Alimentar bem seu corpo equivale a alimentar bem seu espírito, mas se não se mudar radicalmente os hábitos alimentares, em particular, no que diz respeito ao pescado, não haverá alimentação saudável e nutritiva no futuro", disse a cientista Courtney Van de Weyer, co-autora do estudo. Outros estudos descobriram uma ligação entre a deficiência da vitamina D e esquizofrenia (transtorno do funcionamento cerebral), esclerose múltipla (doença do sistema nervoso central) e doenças pulmonares.


Quinua é considerado o melhor alimento do mundo: a quinua (Quinoa) é um cereal encontrado apenas no deserto Uyuni, no Altiplano Boliviano - a 3,8 mil metros acima do nível do mar. É considerado pela Academia de Ciências dos Estados Unidos como o melhor alimento de origem vegetal para consumo humano. Seu valor nutritivo é tão grande que a Nasa a selecionou para integrar a dieta dos astronautas em vôos de longa duração. Provavelmente por estas razões, os incas - que a cultivavam há 8 mil anos - a veneravam como símbolo religioso e a chamavam de "Grano Madre" ou "Grano de Oro". Conhecido em todo o mundo, o cereal chegou há pouco tempo no Brasil e já é encontrado - em forma de flocos, grãos e farinha - em grande parte do País. Entre os benefícios do consumo, estão a prevenção de câncer de mama, osteoporose e problemas cardíacos, melhora da imunidade, da aprendizagem e da memória e recuperação de tecidos, entre muitos outros.

Recomendações Finais

A recomendação mais prudente e sustentável cientificamente para a população geral é consumir uma dieta balanceada com ênfase em frutas e vegetais ricos em antioxidantes e grãos integrais. Este conselho, que é consistente com as diretrizes dietéticas atuais da American Heart Association, considera o papel da dieta global em influenciar o risco às doenças. O acompanhamento médico periódico é altamente recomendável. Não tomar vitaminas e suplementos sem o acompanhamento de seu médico.

Apesar dos achados negativos da maioria dos ensaios clínicos, muitos fabricantes continuam a comercializar antioxidantes como se tivessem comprovado seus benefícios. Muitos também promovem misturas de beta-caroteno e outros carotenóides, os quais, sugerem, podem proporcionar os mesmos benefícios que as frutas e vegetais. Muitos tipos de cápsulas descritas como "concentrados" de frutas e/ou vegetais estão sendo comercializadas. Entretanto, não é possível condensar grandes quantidades de produto em uma cápsula sem perder fibras, nutrientes e muitos outros fitoquímicos. Apesar de alguns produtos conterem quantidades significativas de nutrientes, estes nutrientes são facilmente obtidos por um custo menor através dos alimentos.

Nos últimos meses, as revistas científicas afirmaram que o café pode causar doenças cardíacas fatais e também que está cheio de antioxidantes que previnem o câncer. Leite, que tem cálcio, é bom para os ossos, só que a gordura faz mal para as artérias. Carne vermelha é ruim para o coração, mas dietas ricas em proteína podem ajudar a combater a obesidade. Uma dieta rica em fibras é boa, não fosse pelo fato de que um estudo americano dizer agora que não previne os cânceres do sistema digestivo.

A ciência é complexa e uma boa saúde envolve equilibrar um risco em relação a outro. Mas, para os consumidores comuns, separar o joio do trigo está se tornando uma tarefa cada vez mais complicada. Há uma concordância científica geral de que ingerir quantidades adequadas de frutas e vegetais pode ajudar a diminuir a incidência de doença cardiovascular e certos tipos de câncer. Com relação aos antioxidantes e outros fitoquímicos, a questão chave é se a suplementação provou trazer mais benefício do que prejuízo. Até agora, a resposta é não, por isso a ANVISA não permite que qualquer uma dessas substâncias seja rotulada ou comercializada com alegações de que pode prevenir doenças.

Fonte de consulta: nutriwatch

Última atualização: 22/02/2005


Estudo associa obesidade e hipertensão a riscos de demência

A edição de agosto da revista Lancet Neurology apresentou os resultados de um estudo, realizado com 1.409 indivíduos de média idade, mostrando que a hipertensão, a obesidade e altos índices de colesterol aumentam a probabilidade de desenvolver demência. A equipe de pesquisadores, coordenada por Mia Kivipelto, do Centro de Pesquisas sobre a Velhice, do Instituto Karolinska (Suécia), desenvolveu um método capaz de prever - com base nesses fatores - os riscos de um indivíduo de média idade contrair a doença. Para essa projeção, os cientistas analisaram os valores para pressão sangüínea, IMC (Índice de Massa Corporal) e colesterol, e consideraram também a idade, rotina de atividade física, nível cultural e fatores genéticos. O grupo de voluntários foi examinado novamente depois de vinte anos, para detecção de sintomas de demência, como Alzheimer, ou demência do tipo vascular.

Principal conclusão: junto aos fatores de risco já conhecidos, como idade ou nível baixo de escolaridade, outros fatores como obesidade, hipertensão e colesterol podem exercer importante influência no aparecimento da demência.

O novo teste fornece uma pontuação específica a cada um dos diferentes fatores, através da soma dos pontos obtidos. Kivipelto acredita que "os médicos podem vir a utilizar esse sistema para identificar pessoas com maiores probabilidades de desenvolver a demência".

Miia Kivipelto, Tiia Ngandu BMc, Tiina Laatikainen, Bengt Winblad, Hilkka Soininen and Jaakko Tuomilehto Risk score for the prediction of dementia risk in 20 years among middle aged people: a longitudinal, population-based study .Lancet Neurology - Volume 5 - Agosto 2006

Última atualização: 13/08/2006